Mário Sérgio

Mário Sérgio

Mário Sérgio Pontes de Paiva

Posição: Meio-campista
Nascimento: 07/09/1950
Naturalidade: Rio de Janeiro - RJ

Clubes:

1970 - Flamengo (RJ)
1971-1975 - Vitória (BA)
1975-1976 - Fluminense (RJ)
1976-1979 - Botafogo (RJ)
1979 - Rosario Central - ARG
1979-1981 - Inter
1981-1982 - São Paulo (SP)
1983 - Ponte Preta (SP)
1983 - Grêmio (RS)
1984 - Inter
1984-1985 - Palmeiras (SP)
1985-1986 - Bellinzona - SUI
1986 - Botafogo (SP)
1987 - Bahia (BA)

Títulos pelo Inter:

Gauchão: 1981 e 1984
Brasileirão: 1979 (Invicto)
Torneio Heleno Nunes: 1984
Copa Kirin: 1984

De nome Mário Sérgio Pontes de Paiva, ficou também conhecido como um dos pais do futebol arte. Incompreendido por muitos de seus contemporâneos, recebeu o folclórico apelido de ‘vesgo’ por aqueles que sofriam em decifrar o porquê de um atleta golpear com os olhos no momento de servir um companheiro, criando o famoso ‘olhar para um lado, tocar para o outro’. Mal interpretado por tanto tempo, encontrou na Padre Cacique companheiros que compartilhavam de sua genialidade. Ao lado destes, formou uma verdadeira constelação, inigualável na história do principal desporto brasileiro. O resultado, por óbvio, também foi único: o título invicto de 1979.

> O início da carreira:

Mário Sérgio nasceu no dia 7 de setembro de 1950 na cidade do Rio de Janeiro. Revelado pelo Flamengo, logo foi contratado pelo Vitória, clube no qual virou ídolo, a ponto de hoje ser homenageado com uma avenida adjacente ao Barradão, casa da equipe baiana, levando seu nome. Após figurar na seleção da Bola de Prata nos anos de 73 e 74, transferiu-se ao Fluminense em 1975, integrando a primeira geração da ‘Máquina Tricolor’, campeã carioca. Das laranjeiras, partiu para General Severiano, para vestir a estrela solitária do Botafogo.

No Glorioso atuou até sofrer grave lesão no joelho, agravada após seguidas tentativas de retornar aos gramados sem estar devidamente recuperado. Famoso tanto por sua qualidade, quanto por seu temperamento, Mário se viu sem clima na Cidade Maravilhosa, e decidiu partir para terras hermanas. Por um semestre, fardou o canalla manto do Rosário Central, última equipe que defendeu antes de desembarcar em Porto Alegre.

> A primeira passagem pelo Inter

Fracassado no Gauchão, encerrado na indigesta terceira colocação, o Inter sabia que, para sonhar com um final de ano melhor, precisava encorpar seu elenco. Neste cenário chegaram, para a comissão técnica, nomes como Gilberto Tim, na preparação física, e Ênio Andrade, no comando da casamata. Já para as quatro linhas as caras novas ficaram por conta de Bira, Benítez, e, exatamente, Mário Sérgio.

O meio-campista foi contratado a pedido de Falcão, que via nele o companheiro ideal para ocupar a faixa esquerda do ataque colorado. Com o aval do futuro Rei, Mário chegou ao Beira-Rio para compor, ao lado ainda de um Príncipe, o setor de criação do alvirrubro gaúcho.

Vestindo a camisa de número 11, o carioca atuou em função extremamente moderna para o futebol de então. Se nas primeiras Copas conquistadas pelo Brasil se destacou a figura de Zagallo, que, jogando pelas beiradas, recuava ao meio de campo para ajudar na criação, gerando superioridade numérica em setor cirúrgico do relvado; no Inter de 1979 era Mário Sérgio quem quebrava zagas com sua movimentação de coringa.

No encerramento da terceira fase do Brasileirão de 1979, o Inter bateu o Cruzeiro, em Minas, por 3 a 2

Sempre alinhado como um ponta, cansou de cortar para dentro e se associar a Falcão e Batista, abrindo espaço para as subidas de Cláudio Mineiro. Liso nos dribles e preciso nas assistências, fortaleceu seu setor, oferecendo, ainda, um descanso ao já experiente Valdomiro, capitão da faixa direita. Assim, equilibrado e balanceado, o Inter foi crescendo aos poucos no Brasileirão, acumulando principalmente vitórias, e também alguns empates. Muitos destes resultados, destaque-se, conquistados com fundamental auxílio da canhota de Mário Sérgio.

Na terceira fase, diante de um Beira-Rio lotado, Mário fez o gol da vitória colorada sobre o Goiás:

Titular do início ao fim da campanha tricampeã nacional invicta, o ‘Vesgo’ esteve ainda mais brilhante na fase eliminatória, iniciada a partir das semifinais, disputadas contra o Palmeiras. Em São Paulo, Mário deu assistência para o primeiro gol, anotado por Jair, em um foguete de fora da área; e iniciou a jogada do terceiro.

Na finalíssima, contra o Vasco, mais uma vez o camisa 11 se apresentou afinado, em consonância à harmônica sintonia jamais derrotada. O primeiro gol da partida do Beira-Rio, por exemplo, saiu de milimétrico lançamento de Mário, que encontrou a casquinha de Bira para então beijar o pé de Jair, driblar Leão e partir para o abraço. No tento de número dois, último do Inter na partida, novamente assistência a partir do campo de defesa. Desta vez para Jair, que lançou Bira. O centroavante dividiu com Leão e ela sobrou limpa para Falcão decretar o alvirrubro campeão.

Campeão nacional, Mário seguiu encantando a torcida colorada até 1981, ano em que conquistou seu primeiro Gauchão pelo Inter antes de ser negociado com o São Paulo. Vice-campeão da América na temporada anterior a de sua saída, atingiu, também em 80, a terceira colocação no Campeonato Brasileiro. Eliminado nas semifinais pelo Atlético-MG, o Colorado empatou a primeira partida, disputada no Mineirão, por 1 a 1, e, como sempre, o camisa 11 apareceu decisivo, armando a jogada do gol vermelho em Belo Horizonte. 

> O bom filho à casa torna, primeiro no campo...

 Após jogar pelo tricolor paulista e também por Grêmio, Mário voltou à equipe colorada em 1984. A magnificência do meio-campista pôde ser comprovada quando, ainda em janeiro, superou qualquer rivalidade e foi aplaudido por vermelhos e azuis no “Gre-Nal das faixas”. Mais breve do que a primeira, a nova passagem foi, igualmente, marcada por títulos. Em um único semestre, o camisa 11 conquistou Gauchão, Copa Kirin e Torneio Heleno Nunes, para então retornar à capital paulista e vestir o alviverde palmeirense.

> … e depois na casamata!

Mário pendurou as chuteiras em 1987, quando atuava pelo Bahia. Na mesma temporada, assumiu o comando do Vitória, estreando na carreira de treinador. O segundo capítulo desta nova fase, contudo, só aconteceu cinco anos depois, em 1993, no Corinthians. Na sequência vieram São Paulo, Vitória uma vez mais, Athletico Paranaense, São Caetano, Grêmio, como diretor técnico, Figueirense, Botafogo, retornos a Athletico e Figueira, Portuguesa, e, enfim, Inter, em 2009. Entre todas estas passagens, diga-se, o ex-craque exerceu, em diversas ocasiões, a função de comentarista esportivo.

Anunciado no início de outubro, o ídolo tinha a missão de conduzir o Clube do Povo nos últimos meses do seu ano de centenário. Tarefa grandiosa, como as pretensões coloradas, em um cenário de luta pelo título brasileiro, e que o eterno camisa 11 revelou ser irrecusável, em se tratando de um convite do Inter. "Foi um chamado que eu não poderia negar. Tenho um grande respeito pelo Inter, pois aqui vivi os melhores momentos da minha carreira de jogador. Não viria para trabalhar apenas dois meses se não fosse o Inter. Vim prestar um serviço."

Foram 11 partidas à frente do Inter. Inicialmente disputadas com três zagueiros, depois usando das tradicionais linhas de quatro. Finalizada no dia 6 de dezembro, a passagem do treinador atingiu excelentes 63,6% de aproveitamento, construídos através de seis vitórias e três empates, e que consagraram um vice-campeonato brasileiro por somente dois pontos. Com a chegada de dezembro, Mário Sérgio deixou o Clube comprovando, novamente, sua genialidade quando o assunto é futebol.

> Precoce partida

Mário Sérgio nos deixou no trágico acidente aéreo envolvendo a delegação da Chapecoense, ocorrido em 29 de novembro de 2016. Marcante por sua forte personalidade, caráter único e qualidade rara, o ex-craque estará, eternamente, nos corações do povo colorado, que jamais esquecerá das alegrias proporcionadas pelo seu meia-esquerda e comandante. 

Torcida colorada lembrou o time de 1979 em partida da Libertadores de 2011. Foto: Divulgação

Além disso, o ídolo colorado foi perpetuado, também, na estrutura do Beira-Rio. Em referência a sua brilhante trajetória como comentarista esportivo, o Centro de Imprensa do Inter leva, desde dezembro de 2016, o nome do carioca da capital. O batismo do setor, inclusive, foi conduzido por Adroaldo Guerra Filho, amigo pessoal do ex-craque, atendendo a pedido da família de Mário Sérgio.

Um dos maiores a pisar no abençoado gramado do Gigante, jogador e técnico essencial para construir a mística de nossa casa e o peso de nossa camisa, Mário Sérgio Pontes de Paiva terá, para sempre, seu lugar no Beira-Rio. Obrigado por tudo, craque!




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