Guiñazu

Guiñazu

Pablo Horacio Guiñazu

Posição: Volante
Nascimento: 26/08/1978
Naturalidade: Córdoba - ARG

Clubes:

1996-2000 - Newell's Old Boys - ARG
2000-2001 - Peruggia - ITA
2001-2003 - Independiente - ARG
2003 - Newell's Old Boys - ARG
2003-2004 - Saturn - RUS
2004-2007 - Libertad - PAR
2007 - 2013 - Inter
2013 - Libertad - PAR
2013-2015 - Vasco (RJ)
2016-2019 - Talleres - ARG

Títulos Inter:

Gauchão: 2008, 2009, 2011, 2012
Libertadores: 2010
Recopa: 2011
Copa Sul-Americana: 2008
Copa Suruga Bank: 2009
Dubai Cup: 2008

Julho de 2006, dia 27. Estádio Defensores del Chaco, duelo de ida das semifinais da Libertadores. Transcorridos 34 minutos da etapa inicial, Índio corta cruzamento perigoso, mas a bola sobra, na entrada da meia-lua, com o camisa 17 do Libertad. Ele domina no peito e, já dentro da área, chuta com a canhota. Rasteiro, o arremate beija a trave de Clemer e cruza a extensão da meta. Os donos da casa ficam com o rebote e criam nova oportunidade, defendida pelo goleiro colorado. Perigo, definitivamente, afastado. Este foi o primeiro capítulo da marcante história entre Inter e Guiñazu, o quase algoz vermelho.

Guiñazu, em 2006, perfilado como rival do Inter no Beira-Rio. Foto: Jefferson Bernardes/@agenciapreview

Alguns meses depois, no dia 14 de junho, Clube e atleta tornaram a se cruzar. Desta vez, em episódio feliz para ambos: a apresentação de Pablo Horacio Guiñazu como jogador do Sport Club Internacional. Aos 28 anos, o volante não escondeu a ansiedade em sua primeira fala à imprensa, destacando a vontade de retribuir, o quanto antes, toda a expectativa da torcida para com seu futebol, e estrutura disponibilizada a ele pelo Colorado.

Um breve hiato, no entanto, retardou o primeiro ato oficial do novo casamento. Contratado do exterior, Guiñazu só poderia estrear com a camisa do Inter a partir de agosto, quando seria aberta a janela para contratações internacionais. Desta forma, restou ao atleta se preparar para, assim que legalizado, estrear. E como 'El Cholo' se preparou!

"Ele é muito dedicado. Algumas vezes temos até que pedir para que pegue um pouco mais leve na intensidade, para que não acabe sofrendo uma lesão. É um atleta exemplar." Estas foram as palavras usadas por Flávio Soares, auxiliar de preparação física do Internacional, para definir a intensidade dos treinos do argentino. Guiñazu, inclusive, não era o único sedento por ir a campo. Na mesma situação estavam Magrão e Jorge Luís, este, lateral-esquerdo.

O esperado momento de estreia chegou no dia 5 de agosto, em duelo contra o Cruzeiro, fora de casa. De grande exibição, o argentino, vestindo a 11, sobressaiu-se na região central do campo, mas nem mesmo seu ímpeto foi capaz de conter os mandantes, que atuavam diante de um Mineirão cheio. Escore final, um injusto 3 a 2.

Guiñazu seguiu encantando a torcida ao longo de todo o semestre final de 2007, fascinando tanto por sua inigualável e indescritível vibração, quanto pela qualidade que exibia na afiada perna canhota. Ao longo dos meses que sucederam seu desembarque, novos reforços, a exemplo de Nilmar e Sorondo, foram apresentados no Beira-Rio, incorporando o elenco que se preparava para alcançar grandes feitos em 2008. O ano de estreia de ‘Cholo’ chegou ao fim com o Inter classificado à Sul-Americana, e Pablo Horacio conquistando a paixão dos colorados

Embalado por um encerramento de ano convincente, Guiñazu seguiu galgando posições dentro da hierarquia alvirrubra no início de 2008. Na pré-temporada, esteve entre os principais nomes na conquista da Dubai Cup, em campanha na qual o Colorado passou por cima de Stuttgart e Inter de Milão para se sagrar campeão. Mesmo tendo deixado o campo lesionado, foi eleito, em enquete no site do Clube do Povo, o melhor da na finalíssima, dando o tom do protagonismo que exerceria no ano que estava por vir.

Capaz de afastar o motorzinho colorado dos gramados, a contusão não foi exatamente vencedora na luta contra o abissal preparo físico do argentino. Após breves semanas entregue aos cuidados do departamento médico, Guiñazu retornou à ativa antes do previsto - e com sangue nos olhos. Desta forma, a lesão se tornava um motivo de lamentação para os adversários que enfrentaram o Inter de fevereiro em diante, e tiveram de encarar o agora camisa 5 ainda mais sedento. 

Guina não somente retomou de forma imediata sua vaga entre os titulares alvirrubros, como também tratou de inaugurar um raro instante artilheiro em sua carreira. O primeiro de seus tentos saiu ainda no segundo mês do ano, quando anotou uma pintura de perna direita na goleada de 4 a 0 do Clube do Povo sobre o Nacional do Amazonas, na fase inicial da Copa do Brasil. Em março veio o outro gol, marcado, frente ao Canoas, em um irônico carrinho. 

O alto nível de ‘Cholo’, destaque-se, era acompanhado por todos os companheiros, fato comprovado nas goleadas sobre Juventude, por 8 a 1, e que garantiu ao Inter o título estadual; e Paraná, em épico confronto encerrado com o 5 a 1 no marcador, colocando o Clube do Povo entre as oito melhores equipes do país na Copa do Brasil. Neste contexto foi iniciado o mês de maio, com Guiñazu figurando na seleção do Gauchão, apesar de ter perdido partidas do torneio por conta de sua lesão. Aos poucos, o que poderia ser uma corriqueira paixão platônica tomava contornos de idolatria.

Índio (E), Alex (C) - também craque e artilheiro, e Guiñazu (D): os colorados na seleção do Gauchão

Um início de Brasileirão claudicante, seguido das saídas de líderes como Fernandão e Iarley, ameaçou um ano que, desde seu alvorecer, prometia grandes feitos à torcida. Foi então que o Clube do Povo reforçou seu elenco e anunciou, para quem quisesse ouvir, que o recente campeão de América e Mundo seguia buscando taças. Desta vez, com novos nomes. Entre os principais representantes do elenco aparecia, exatamente, Guiñazu, agora, tema de música.


O desempenho notório do argentino era percebido, inclusive, pelo principal escalão do futebol mundial. No início do segundo semestre, Guiñazu virou matéria no site da FIFA, sendo definido como ‘a alma do time colorado’. Denominação, diga-se, nada exagerada, uma vez que era exatamente o volante quem, ao lado de Magrão, dava ao Clube a consistência cobrada pela habilidosa linha ofensiva do Internacional, recheada de estrelas. Um carregador de piano, diriam os antigos, mas que exibia qualidade rara para os que costumam ocupar a faixa de campo que lhe servia de casa.

Íntimo da bola, Guiñazu chamava a redonda de ‘tu’, e não se acanhava em encará-la nos olhos

E foi contando com este aguerrido pulmão que Tite construiu, para o quarto e último trimestre de 2008, um dos maiores esquadrões do Inter neste século. Ao lado do parceiro Magrão, Guina antecedia o temido trio de Alex, D’Alessandro e Nilmar. Assim, conferindo imposição física em contrapartida a nossa leveza ofensiva; experiência internacional a um reformulado grupo, e caprichados desarmes à frente de uma forte defesa formada por Bolívar, Índio, Álvaro e Marcão; ‘El Cholo’ despontou como um alicerce alvirrubro na caminhada campeã invicta da Sul-Americana.

Eleito o melhor jogador em campo no Gre-Nal de estreia no campeonato, ‘El Cholo’ esteve imparável no torneio. Não atuou apenas na partida de ida das oitavas, disputada contra a Universidad Católica, no Chile, quando foi preservado; e na abertura das quartas de final contra o Boca, no Beira-Rio, por estar lesionado. Além disso, esteve fora da finalíssima, suspenso, devido à injusta expulsão sofrida em La Plata, na vitória colorada por 1 a 0 sobre o Estudiantes. Nem por isso deixou de ter seu nome ovacionado pela torcida antes do embate que consagrou o Clube do Povo campeão, atitude que comprovou a importância do volante na vitoriosa caminhada continental.

Mais do que campeão, Guiñazu abriu 2009 como capitão. Posto histórico, em se tratando do ano de centenário do Internacional, e que foi assumido pelo infatigável volante com naturalidade, visto que desde a sua chegada em Porto Alegre vinha construindo uma narrativa de liderança e exemplo.

Guerreiro, Guiñazu chegava a, em pleno verão, treinar vestindo capas e agasalhos. Tudo para estar o mais preparado possível às batalhas que o aguardavam

Se o encaixe entre Inter e Guiñazu foi quase instantâneo no ano de 2007, mais rápida foi a consagração do ‘Cholo’ capitão. Quatro meses após empunhar a faixa, levantou a taça do Gauchão, invicto, com direito a gol na final. O troféu foi o primeiro dos dois que ergueu na temporada - o outro foi da Copa Suruga. Eleito melhor volante do Brasileirão, o argentino encerrou o campeonato na segunda colocação, mesma posição alcançada na Copa do Brasil.

Enquanto o Inter completava seus 100 anos de vida, Guina também fechou suas 100 partidas pelo Clube. Além disso, encerrando os feitos pessoais atingidos pelo atleta, na mesma temporada ‘Cholo’ marcou seu quarto e último tento vestindo vermelho. O gol saiu no dia 30 de agosto, em duelo contra o Goiás, vencida pelo Inter por 4 a 0.

 “Sonho em levantar a taça da Libertadores todos os dias, mas agora é hora de trabalho.” Assim, Guiñazu abriu a temporada de 2010. Sonhando, mas, principalmente, suando. Na formação de Fossati, o capitão cansou de se sacrificar pela equipe, atuando em diversas funções do meio de campo colorado para conduzir o Inter às semifinais da América antes da parada para Copa do Mundo.

Com a retomada do calendário, Guina até cedeu a faixa para Bolívar, mas seguiu com o empenho de costume dentro de campo. Titular em todas as partidas, encerrado o mais prestigiado torneio do continente ‘Cholo’ havia superado, com folga, os 100km percorridos na competição. Símbolo do Clube do Povo, entrou para nossa história como um dos principais rostos daquele elenco bicampeão da Libertadores.

Ano em que completou 200 jogos pelo Inter, 2011 foi, igualmente, marcado por taças. Multicampeão, Guiñazu não concebia a mínima possibilidade de passar uma temporada sem levantar grandes troféus. Dentro e fora de campo, sempre fez sua parte para alcançar conquistas. Logo em maio, vestiu a faixa de vencedor gaúcho, participando da última volta olímpica do Estádio Olímpico, tradicional casa de nosso rival.

Foi em agosto, contudo, que o grande momento da temporada chegou. Lesionado, Guiñazu não disputou a primeira partida da Recopa, realizada no dia 10 de agosto no Estádio Libertadores da América, casa do Independiente. Duas semanas depois, fardou sua camisa cinco e ajudou o Inter a virar o placar, aplicando 3 a 1 e garantindo o bicampeonato no torneio.

O último ano de ‘Cholo’ no Inter foi marcado por nova conquista, o Gauchão, seu quarto pelo Inter. Dando continuidade a sua tradicional liderança, ajudou o Clube do Povo a construir campanhas livres de maiores percalços em período no qual o Beira-Rio foi acumulando setores interditados. Também nesta temporada, superou a casa dos 250 jogos, aumentando sua vasta biografia com a camisa colorada.

A trajetória de Pablo Horacio ‘el Cholo’ Guiñazu nas cercanias da Padre Cacique foi encerrada em 5 de janeiro de 2013, ainda antes de ser iniciada a pré-temporada do Inter. O atleta, passando por problemas particulares, pediu seu desligamento do Clube, e foi prontamente atendido, em demonstração de gratidão do Colorado para com seu ídolo.

Eterno camisa 5, o volante fechou sua história no Clube do Povo concedendo emocionante entrevista coletiva no CT Parque Gigante. Na sequência, foi ovacionado por centenas de torcedores que o aguardavam para uma justa despedida. Com 282 partidas disputadas, incontáveis milhões de gotas de sangue e suor despejadas, e, é claro, uma cadeira cativa e perpétua no coração da Maior e Melhor Torcida do Rio Grande conquistada; Guina, Cholo ou ídolo, chame como quiser, foi preciso ao definir a eterna relação que levará junto ao Colorado por toda sua vida: “Agora o Inter ganha mais quatro torcedores: eu, meus dois filhos e a minha esposa”.




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