Índio

Índio

Marcos Antônio de Lima

Posição: Zagueiro
Nascimento: 14/02/1975
Naturalidade: Maracaí (SP)

Clubes:

1993-1996: Novorizontino-SP
1997-1998: Bragantino-SP
1999: Santo André-SP
2000-2001: Figueirense- SC
2000: Botafogo-SP
2001: Etti Jundiaí-SP
2001: América-MG
2002: Botafogo-SP
2002: Juventude-RS
2003: Palmeiras-SP
2003-2004: Juventude-RS
2005-2014: Internacional

Títulos pelo Inter:

Gauchão: 2005, 2008, 2009, 2011, 2012, 2013 e 2014.
Libertadores: 2006 e 2010
Mundial FIFA: 2006
Recopa: 2007 e 2011
Dubai Cup: 2008
Copa Sul-Americana: 2008
Copa Suruga Bank: 2009

Dez temporadas, 391 jogos, 33 gols e 15 títulos. Este é Marco Antônio de Lima, o Índio, um dos maiores zagueiros da história do Internacional. Contratado para o ano de 2005 junto ao Juventude, o ídolo somente deixou o Inter em dezembro de 2014, quando também pendurou as chuteiras. Zagueiro com mais gols na história colorada, carrasco gremista, Índio sempre foi um sinônimo de raça e dedicação. Para ele não existia bola perdida, mesmo que em alguns casos fosse necessário usar da força para parar os adversários.

É impossível falar sobre os grandes títulos colorados do século XXI sem lembrar do xerife que por tanto tempo protegeu nossa área. Ainda em seu primeiro ano de Clube, Índio foi titular na conquista do Tetracampeonato Gaúcho, além de participar da histórica campanha do Brasileirão de 2005, no qual escândalos de arbitragem tiraram o tetra do Inter. A exitosa temporada de estreia, contudo, foi apenas um presságio das glórias ainda maiores que estavam por vir.

Se o vice-campeonato gaúcho não atingiu às expectativas da torcida colorada para o início de 2006, também é verdade que o revés no estadual serviu para o técnico Abel Braga acertar o time. Como consequência, em 16 de agosto veio a primeira grande conquista da temporada: a Libertadores da América. Pela primeira vez em 97 anos de história, o Clube do Povo era campeão do maior campeonato de clubes da América do Sul. Índio teve importante participação na campanha, sendo titular na finalíssima contra o São Paulo, no Beira-Rio.

Em dezembro do mesmo ano, após o vice-campeonato brasileiro, o xerife colorado foi eleito o melhor zagueiro do Brasileirão pela Revista Placar. Mas o mês reservava alegrias ainda maiores para Índio e a Maior e Melhor Torcida do Rio Grande, alcançadas no dia 17, quando o Inter conquistou, em cima do poderoso Barcelona, o maior título de sua história: o Mundial de Clubes da FIFA!

De grande atuação na final, Índio personificou o espírito de garra e vibração que marcaram a atuação colorada ao jogar boa parte do segundo tempo com o nariz quebrado. Sobre a lesão, na chegada da delegação a Porto Alegre o zagueiro destacou: “Naquele momento que quebrei o nariz, senti muita dor, mas jamais sairia de campo. Somente uma perna quebrada me tiraria da final. Agora, chegando aqui e vendo a torcida comemorando, penso que a dor foi pequena perto da grandeza e da felicidade que estou sentindo”.

O camisa três colorado foi também fundamental na jogada do gol do título. Pressionado no canto direito da defesa vermelha, Índio teve tranquilidade para puxar a bola para dentro e afastar o perigo com seu pé esquerdo. O lance acabou se tornando um lançamento para Gabiru, que escorou de cabeça para Luiz Adriano. O jovem, oriundo do Celeiro de Ases, também com a cabeça acionou Iarley. O atacante cearense superou Puyol e lançou Gabiru, que teve toda a tranquilidade para dominar e logo emendar com o pé direito, sem chances para Victor Valdés.

O ano de 2007 chegou com mudanças no elenco campeão do mundo, mas Índio seguiu titular absoluto e xerife na zaga colorada. No mês de junho, o Clube do Povo foi campeão da Recopa Sul-Americana, garantindo assim a Tríplice Coroa. Suspenso, o zagueiro não pôde jogar a primeira partida, mas retornou ao time titular para o jogo de volta, vencido por 4 a 0 em um Beira-Rio completamente lotado.

Os títulos internacionais seguiram sendo parte da rotina do atleta em 2008. Logo em Janeiro, veio a Dubai Cup, quando após vitória sobre a equipe alemã do Stuttgart na semifinal, o Colorado gaúcho bateu a Inter de Milão na grande decisão. Lesionado, Índio não atuou contra os italianos.

Já multicampeão, faltava ao zagueiro goleador balançar as redes em uma final. E foi na segunda partida da decisão do Gauchão de 2008 que Índio conseguiu, enfim, marcar um gol de título. Foi o sétimo, na vitória por 8x1 sobre o Juventude. Curiosamente, o gol da equipe caxiense também foi marcado pelo ídolo, quando tentava afastar cruzamento perigoso.

Inaugurado com título, o ano de véspera do Centenário Colorado foi encerrado com mais uma taça, a da Copa Sul-Americana. Índio foi titular ao longo de toda a campanha, com direito a gol sobre o Grêmio na primeira fase da competição - seu segundo em clássicos, dando início a fama de ‘Homem Gre-Nal’.

O Inter completou 100 anos de história em 2009. Contudo, as festividades do dia 4 de abril, que incluíram uma marcha pelas ruas de Porto Alegre com mais de 30 mil colorados, não contaram com a presença dos jogadores. O motivo? No dia seguinte ao aniversário seria disputado um Gre-Nal válido pelas quartas de final do segundo turno do Gauchão. O Inter venceu o clássico por 2 a 1, e coube a Índio marcar o gol da vitória, presenteando assim milhões de colorados e coloradas.

Classificado, o Clube do Povo seguiu sua caminhada até a final, quando bateu o Caxias por 8 a 1 e se sagrou campeão gaúcho, uma vez que já havia conquistado o primeiro turno, decidido contra o Grêmio. Na ocasião, outro 2 a 1, que também contou com gol de Índio. Foi o 39º título estadual do Inter, o terceiro conquistado pelo zagueiro, que ainda levantou outra taça no ano: a Copa Suruga.

Índio seguiu acumulando títulos e batendo marcas pessoais no ano de 2010, com destaque para o mês de agosto. Primeiro, veio o Bi da América. Ao longo da campanha, o zagueiro foi titular em 7 das 14 partidas, tendo brilhado no primeiro jogo da final ao dar assistência para o gol de Bolívar, o segundo na vitória colorada por 2 a 1 sobre o Chivas, no México. A taça foi levantada na noite do dia 18 de agosto após nova vitória, dessa vez por 3 a 2, diante de um Beira-Rio abarrotado.

Uma semana depois, em partida contra o Avaí, pelo Brasileirão, o atleta marcou seu 27º gol com a camisa colorada, em forte cabeceio após cruzamento de Glaydson, e se tornou o maior zagueiro artilheiro da história do Inter, ultrapassando Figueroa e seus 26 tentos. À época, Índio já tinha cinco gols marcados em Gre-Nais.

O ano de 2011 começou com o 40º título estadual do Inter, o quarto de Índio. Em decisão emocionante, o Clube do Povo reverteu a derrota na partida de ida, e, após vitória por 3 a 2 no tempo normal, bateu o Grêmio nos pênaltis para sagrar-se campeão. A volta olímpica colorada foi a última da história do Estádio Olímpico, casa gremista até o final do ano de 2012.

Em agosto do mesmo ano, o Inter foi Bicampeão da Recopa após bater os argentinos do Independiente. Com a conquista, Índio passou a ser o único jogador da história colorada a estar presente nas duas vezes em que o Clube do Povo conquistou o certame continental.

O zagueiro conquistou mais três gauchões nos anos seguintes, tornando-se heptacampeão estadual. Em 2013, Índio marcou seu último gol com a camisa colorada, o terceiro na vitória por 5 a 3 sobre o Vasco. A última partida aconteceu em maio de 2014, quando o Inter empatou em 1 a 1 com o Coritiba, fora de casa. Contudo, o momento mais emocionante do último ano da carreira do ídolo foi o amistoso de reinauguração do Beira-Rio.

Índio entrou em campo aos treze minutos do segundo tempo, quando o Inter já vencia o Peñarol por 2x0. A partir de então, o camisa três passou a ser a grande atração da partida, ovacionado a cada toque na bola. O Gigante quase foi abaixo quando, livre, o camisa três encobriu o goleiro em preciso cabeceio. Para frustração dos presentes, contudo, a bola tirou tinta da trave. Ao final do jogo, como havia recebido a faixa de capitão de D’alessandro, foi o zagueiro quem levantou a taça comemorativa do Jogo Inaugural. Emocionado, o ídolo colorado chamou todos atletas do elenco para uma volta olímpica, sendo devidamente celebrado pela torcida.

O ponto final da gloriosa passagem do zagueiro, um dos maiores ídolos da história do Internacional, foi sua entrevista de despedida na tarde do dia 8 de dezembro. Mais uma vez emocionado, Índio declarou seu amor ao Clube e, entre lágrimas, anunciou a aposentadoria: “É muito amor que criei aqui dentro desse clube. Eu não me via mais vestindo outra camisa a não ser encerrar minha carreira no Inter".



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