Caíco

Caíco

Airton Graciliano dos Santos,

O Inter leva a alcunha de "Colorado de ases celeiro" em seu hino. E com justiça. No Clube do Povo já surgiram centenas de jogadores reconhecidamente qualificados. Em 1992, por exemplo, vários iniciavam suas respectivas trajetórias no plantel principal. Um deles, Airton Graciliano dos Santos, de 18 anos, também começava a ganhar seu espaço com a camisa vermelha. Caíco, como é conhecido desde a infância, defendeu as cores do Inter nas equipes de base durante três anos e, depois, subiu ao time profissional. No Campeonato Gaúcho daquele ano - que foi conquistado pelo time colorado -, o jovem porto-alegrense recebera suas primeiras oportunidades para jogar no time de cima. E aproveitou bem as chances que teve. Na Copa do Brasil, o técnico Antônio Lopes lhe dera mais tempo de jogo. Aos poucos, Caíco foi participando mais e mais na equipe. No 1º jogo da final da Copa do Brasil, nas Laranjeiras, diante do Fluminense, Caíco fez seu único gol naquela campanha. E que gol! Desmontou a defesa dos cariocas a dribles e marcou um gol que, pela beleza e por ser na condição de visitante, valeu por dois. Na 2ª partida, ao triunfar por 1 a 0, o Inter fez o suficiente e pôde dar a volta olímpica.

Naquela Copa do Brasil, o Inter jogou a partida de ida fora de seus domínios em todas as fases e sempre marcou gols longe do Beira-Rio. Com isso, garantiu o gol qualificado a seu favor durante a disputa do torneio. Caíco lembra que a equipe campeã da Copa do Brasil apresentava um estilo de jogo ofensivo, o que encaminhava esta busca de vantagem nos jogos longe do Gigante. "Eu lembro que era um time muito técnico e que tinha três jogadores que comandavam, que tomavam a liderança do time: Marquinhos, Maurício e Célio Silva. Era um time bem novo, tinha muitos jogadores das categorias de base. Nosso time jogava para ganhar, sempre com a bola para frente, tocando e passando o adversário, que era o que o treinador sempre pedia. Isso pelas características dos jogadores e por nós querermos sempre vencer, e vencer fora, para chegar em casa e jogar com vantagem", recorda o ex-meio-campista..

O clima pré-decisão e a confiança a partir dos Gre-Nais

Entre 1979 e 1992, o Inter viveu um período de ausência de conquistas em âmbito nacional. Aquela Copa do Brasil, como não esquece Caíco, era muito importante para o clube, jogadores e torcida. Era o momento para o povo colorado voltar a gritar campeão, para o clube regressar ao rumo dos triunfos e para os jogadores, que ambicionavam fazer história com a camisa que defendiam: "O clima era de muita empolgação porque fazia tempo que o clube não ganhava um título nacional. Nós sabíamos também a importância para cada jogador, principalmente porque tinham muitos jogadores da base, como eu, Daniel, Célio Lino, Anderson e muita gente que estava subindo. A torcida estava muito eufórica, o clube em si, a diretoria passava muito isso para a gente durante os jogos, principalmente nas partidas decisivas. O resultado foi que nós chegamos ao título", lembra o ex-jogador do Inter.

Em amistoso ou por qualquer que seja a competição, o clássico Gre-Nal sempre mobiliza todo o Rio Grande do Sul. Contudo, os duelos da etapa de quartas de final daquela Copa do Brasil foram distintos dos demais. Inter e Grêmio se cruzavam em um mata-mata, em uma instância de reconhecida relevância. Eliminar os azuis deu confiança aos jogadores colorados para sonhar mais ainda com a conquista da competição, além, claro, de fazer história ao assegurar uma passagem de fase em cima do rival: "Gre-Nal sempre é um jogo especial. Como Inter não vivia uma época sólida de títulos e o Grêmio vinha predominando, isso (eliminar o Grêmio) fez com que a gente ficasse mais motivado para pegar os outros adversários. Tirar o Grêmio em uma decisão já é histórico. Queira ou não, entramos para a história nos Gre-Nais. Foram jogos muito emocionantes e nós sabíamos da importância de vencer o Gre-Nal", recapitula Caíco.



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