Marinho Peres

Marinho Peres

Mário Peres Ulibarri

Um zagueiro do Barcelona para o Inter

Por José Evaristo Villalobos

Recém campeão brasileiro de 1975, então o maior título da história do clube, o Inter queria mais. E o presidente Frederico Arnaldo Ballvé, que sucedeu Eraldo Hermann, encontrou no serviço militar espanhol um grande reforço para o já muito qualificado time colorado. Em um lance ousado, incrível, logo no início de 1976, trouxe o paulista (também com naturalidade espanhola) Marinho Peres para o Beira-Rio. O zagueiro estava no Barcelona desde 1974 e teria que servir ao exército espanhol por um ano, fato que fez a diretoria do clube catalão cedê-lo ao Inter, facilitando sua saída.

Mário Peres Ulibarri chegou para a disputa do Campeonato Gaúcho ainda na reserva de Hermínio, que formou a dupla de zaga campeã brasileira de 1975 com Elias Figueroa. E ganhou sua primeira chance logo em um Gre-Nal. Na época, dizia-se que sua presença era um risco, que o centroavante gremista Alcino, de quase dois metros de altura, poderia liquidá-lo já no primeiro jogo e que poderia haver guerra de beleza entre ele e Figueroa. Experiente, rodado, Marinho passou dando entrevistas durante toda a semana afirmando ser esta a estreia perfeita. Não deu outra: o Inter venceu por 2 a 0, gols de Carpegiani e Figueroa, e ele foi um dos melhores em campo. Ao final do jogo, ainda antes de entrar para o vestiário, disse: “Guerra com o Elias, não. Guerra com o adversário. Eu quero estar sempre entre os melhores”, acabou com a polêmica.

A partir daí ganhou a titularidade e foi um dos líderes do time bicampeão brasileiro que foi melhor do que os outros adversários desde o início da competição, tornando a conquista quase como um protocolo a ser cumprido. Do lendário técnico Rinus Michels, com quem trabalhou no Barcelona, trouxe a contribuição da tática do impedimento, criada na grande seleção holandesa de 1974, a Laranja Mecânica, prontamente aceita pelo técnico colorado Rubens Minelli. Marinho gritava “sai” e todo o sistema defensivo se adiantava colocando os adversários em situação ilegal. Era uma linda e eficiente coreografia, quase sempre executada com perfeição.

Marinho foi titular na Seleção Brasileira de 1974 e sentiu, ele mesmo, o drama de enfrentar uma marcação tão forte e adiantada, com ninguém guardando posição no campo: “Assisti a um vídeo do jogo entre Holanda e Uruguai na Copa daquele ano. Quando o Pedro Rocha, habilidoso meia uruguaio pegou na bola, sete adversários correram contra ele e todos os seus companheiros ficaram impedidos”. Na Copa atuou em todas as partidas e foi considerado um dos melhores jogadores daquela competição em que o Brasil acabou eliminado pela própria Holanda tentando fugir, sem êxito, do revolucionário esquema de Michels.

Nascido em Sorocaba no dia 19 de março de 1947, começou a carreira no São Bento de sua cidade e logo despertou o interesse da Portuguesa. Foi tão bem na Lusa que acabou contratado pelo Santos de Pelé. Ganhou o campeonato paulista de 1973, curiosamente ao lado da Portuguesa. Houve uma decisão de pênaltis não concluída e o árbitro Armando Marques declarou o Santos campeão, quando a Portuguesa ainda poderia vencer. Dito e feito: só restou à Federação Paulista de futebol, diante do erro do árbitro, proclamar dois campeões, pois os jogadores do Santos já comemoravam a conquista e seria impensável voltar atrás.

Marinho ficou no Inter até o início de 1978, transferindo-se para o Palmeiras. Encerrou a carreira no América carioca, em 1980, já atuando como jogador e técnico, profissão que exerce até hoje. Em sua nova função, venceu a Taça Guanabara de 1997 pelo Botafogo e a Taça de Portugal pelo Belenenses em 1987. Do Inter guarda um orgulho infinito: “Toda vez que tirava uma foto do nosso time antes dos jogos tinha a certeza de que ele deixaria saudades!”. Deixou.

* Matéria publicada na edição Nº 88 da Revista do Inter



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