Luizinho

Luizinho

Luiz José Marques

Um ponta-direita como poucos
Luizinho era um dos destaques do Rolinho, na década de 50

Por Adriana Montes (matéria publicada na Revista do Inter/edição 78)

Nos anos 50 o Internacional queria dar sequência a um time que havia sido imbatível no Rio Grande do Sul da década anterior, o Rolo Compressor. Para tanto, o Clube do Povo buscou atletas de diversos times para, juntos, formarem mais uma grande equip. A mudança começou pelo técnico. Teté veio do Nacional e trouxe com ele jogadores com os quais já havia trabalhado e tinha total confiança. Entre eles estava o ponta-direita que o Inter precisava, Luizinho. “Eu jogava armando, mais pela direita. Ficava próximo ao grande Salvador, que era o nosso centro-médio. A gente já estava habituado a fazer uma triangulação Salvador, Luizinho e Jerônimo”, lembra. O entrosamento daquele time era indiscutível. Com o atacante Bodinho, por exemplo, o ponta-direita conta que havia muita facilidade de entendimento. “Eu e o Bodinho já jogávamos juntos no Nacional, então nos entendíamos muito bem. Quando um pegava a bola o outro já sabia pra onde ir.”

Teté
Segundo Luizinho, muito da qualidade e do conjunto daquela equipe – que ficou conhecida como Rolinho, por ser a continuidade do time que tinha Carlitos e Tesourinha – se dava em razão do comandante Teté. “Ele sabia trabalhar com o psicológico e a qualidade dos atletas. “Era amigo em todas as horas. Se tivesse que ir pro pau com a gente ele ia junto, mas não queria que a gente fizesse isso. Dificilmente a gente tinha jogador expulso”, ressalta. “Quando tinha que rir, ele ria; quando tinha que sentar o pau, ele sentava o pau. Então a gente já estava acostumado. Sabia que quando vinha pedrada não era pro mal, era chamando a atenção porque o cara estava errado.”


Pan-Americano 1956
Em 1956 o Brasil disputou os Jogos Pan-Americanos com uma equipe formada pela seleção do Rio Grande do Sul. Neste time, além do técnico Teté sete colorados estavam entre os titulares e Luizinho era um deles. Foi do ponta-direita colorado, aliás, o primeiro gol da equipe Canarinho na competição, na estreia contra o Chile. “Nós entramos em campo injetados de entusiasmo político, porque diziam que a gente não jogava nada. Aí fomos pra cima deles e conseguimos a vitória, ganhamos ânimo e conquistamos o campeonato de forma invicta”, conta.

Dos anos em que vestiu a camisa colorada Luizinho guarda a gratidão ao presidente Ephraim Pinheiro Cabral, que cumpriu a promessa de conseguir um emprego para ele e o carinho que ainda recebe da torcida. “Até hoje tem gente que passa por mim e acena. Eu nem sei quem é, mas não deixo de cumprimentar.”

Há pouco tempo o eterno ídolo colorado recebeu um presente do afilhado Cristiano: pedaços de concreto do estádio dos Eucaliptos com um bilhete dizendo que eles haviam sido retirados do local onde Luizinho havia brilhado e feito muitos gols. Uma lembrança que está exposta na sala do ex-atleta como recompensa pelos anos de glória que viveu no Internacional.



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